| Distrito do Tabuleiro
do Mato Dentro
Pertencente à Conceição
do Mato Dentro, possui a maior Cachoeira de Minas Gerais,
Cachoeira do Tabuleiro com seus 273 metros de queda,
sendo a 3ª maior do Brasil e da Estrada Real. Faz
parte do Circuito Serra do Cipó, braço
da Serra do Espinhaço, está localizado
o Parque Estadual Serra do Intendente, onde estão
localizadas as maiores Cachoeiras de Minas e espetaculares
Cânions.
É uma bucólica vila simples
e tranquila, com 500 habitantes, grande parte descendente
de holandeses, apresentam olhos e cabelos claros, onde
por todos os lados se elevam montanhas cobertas por
matas nativas, cerrados e campos rupestres, cortadas
por cânions e formando imensas cachoeiras com
mais de 100 metros de altura.
O nome Tabuleiro vem das mulheres da
vila que iam para os povoados vizinhos equilibrando
em sua cabeças os ¨tabuleiros¨ repletos
de quitandas (bolos, doces, rocas, pães de queijo)
que faziam para vender. Quando chegavam em Conceição,
era comum as pessoas dizerem ¨la vêm as mulheres
do Tabuleiro¨. Diz a lenda que esta é a origem
do nome do lugar, outra atribuição é
a formação rochosa em forma de tabuleiro
dos paradões de onde escorre a Cachoeira do Tabuleiro.
Um lugar místico, encantador com
muita introspecção que inspiram: quadros,
sonhos, poemas, os mais bonitos campos, quedas d´agua,
mata atlântica, cerrado e encostas rochosas habitadas
por animais silvestres como o quati, onça-parda,
tamanduá-mirim, veado campeiro, lobo guará,
37 anfíbios, 86 espécies de pássaros
silvestres, mais de 1600 espécies de plantas
entre outros e, uma árvore Gameleira com mais
de 300 anos, localizada na Pousada Gameleira.
Somente na década de 80 o primeiro
jipe conseguiu chegar ao povoado. Até então,
apenas cavalos, mulas e pessoas tinham acesso pelas
trilhas no meio do mato, onde hoje pode ser usado para
fazer trekking, bike e cavalgada, passando uma região
de grande beleza, cachoeiras e pinturas rupestres.
Uma culinária cheia de temperos
e cheiros, hospitalidade do povo mineiro, suas tradições
com manifestações barrocas do Brasil colônia,
a festa do Rosário, seus doces e cachaças,
características marcantes deste importante núcleo
da Estrada Real.
Cachaça, rapadura, farinha de
mandioca e fubá, são alguns dos produtos
fabricados de forma artesanal que podem ser comprados
na região e na fazenda do Crido (Euclídio
Rodrigues de Queiroz), onde o visitante pode acompanhar
a moedura do milho para fazer fubá ou o processo
de fabricação da rapadura e da cachaça.
Por um capricho da natureza, no coração
de Minas Gerais, com seu paredão de quartzito
em tons alaranjados, vermelhos e outras cores, forma
a Cachoeira do Coração, como é
descrita pela população local a Cachoeira
do Tabuleiro. Outra curiosidade deste capricho é
o número 2 estampado no paredão da Cachoeira
do Tabuleiro, fazendo com que cada turista faça
uma reflexão do que poderia ter ocorrido.
Muitos dos seus moradores contam histórias
sobre luzes e objetos voadores não identificados.
Seu Joaquim Eloi conta que era noite quando sua casa
foi focada por uma luz forte à vinte anos atrás
que o impedia de firmar o olhar, o que forçava
a colocar o antebraço esquerdo sobre os olhos
para protegê-los, ele percebeu que a luz vinha
de um objeto que parecia dois pratos unidos pelas bordas
e conseguia ouvir barulho de vozes conversando, embora
não compreendesse o que diziam. A Luz apagava
e acendia repetidamente, chamou os filhos para ver,
mas eles se negaram a sair da cama. Depois de um tempo,
as luzes se apagaram, ouviu um barulho e o objeto desapareceu.
No dia seguinte, seu braço amanheceu doendo e
um pouco dormente, e assim ficou por seis meses. Ao
sair de cavalo pela manhã, viu que os fios de
energia haviam sido rompidos e, ao que tudo indicava,
por causa desse objeto não identificado. Depois
disso, sua visão começou a diminuir e
em quatro anos estava totalmente cego
O Distrito partem trilhas para
trekking, mountain bike, cavalgada, sempre acabam em
alguma cachoeira, poço para mergulhos refrescantes
e sítio arqueológico com pinturas rupestres.
Marujada
Marujada Celebração da imagem Rosário - Madrinha
dos Negros
Lenda
Encontrada no mar por negros, índios e brancos, começaram
a tocar e cantar para salvar a imagem , tornando-se
neste ponto grupos salvadores da imagem:
Catupis
- |
representando os Negros |
Caboclos
- |
representando os Índios |
Marujos
- |
representando os Marinheiros |
Pela lenda os Catupis seriam os
salvadores, sendo portanto os guardiões da imagem. Desde
os tempos coloniais difundiram largamente esta lenda
no universo mineiro.
A tradição da marujada é perpetuada através de gerações,
sendo os grupos conhecidos pelo nome de seus Patrões
(Líder do grupo). Embora não há a proibição da participação
de homens brancos, os integrantes da marujada são majoritariamente
negros ao que tudo indica mantendo a tradição dos tempos
da escravidão. As mulheres participam somente como apoio
(cuidando das roupas, alimentação e crianças).
A vestimenta dos uniformes se assemelha com os da marinha,
onde os marujos usam ainda Chapéus e medalhas. Os comandantes
usam capas bastões e espadas, para exercerem liderança
e afastarem os perigos durante o cortejo. O comando
da marujada é exercido pelo mestre ou patrão, sua referência
o torna responsável pela organização do grupo cuidando
dos instrumentos, dos ensaios e obtenção de apoio para
o grupo. Nas festas o mestre é auxiliado pelo contra
mestre, piloto e xibante, sendo todos responsáveis pelo
bom cortejo e de sustentar as marchas. A formação dos
marujeiros lembra uma nau, e o mestre possui uma espécie
de mascote, é o calafatinho, uma criança que o acompanha,
a frente do grupo segue o porta estandarte, cuja a bandeira
da imagem do Rosário não pode ser ultrapassada. Os integrantes
formam as duas filas do capacete, tocando os instrumentos
em pares, assim tem a frente as violas, logo seguem
as caixas e por fim os pandeiros, há ainda o sanfoneiro
que dança livremente e presta socorro as vozes dos puxadores.
Os instrumentos da marujada lembram as histórias do
escravismo, sendo seus segredos e superstições que fazem
parte da memória musical da marujada.
Fonte: Marujada um encontro multicultural DVD realizado
pela associação MATO DENTRO.
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